Caramuru, uma lenda histórica brasileira

Alguns colonos portugueses ganharam destaque na história do Brasil como personagens de lendas e romances.

Um desses personagens foi Diogo Álvares Corrêia, que recebeu dos tupinambás o apelido de Caramuru. Nada se sabe sobre sua vida em Portugal, mas conta-se que ele viajava para as Índias quando sua embarcação naufragou nas proximidades do litoral brasileiro, perto da baía de Todos os Santos, em 1509/1510.

 

Você deve conhecer essa história pelo filme brasileiro Caramuru – A Invenção do Brasil de 2001, mas como os filmes nacionais são meio que desprezados, você não conhece.

Paraguaçú

 

 

As lendas em torno de Caramuru

Segundo relatos da época, Caramuru e mais oito companheiros sobreviveram ao naufrágio e conseguiram chegar à praia onde hoje se encontra o bairro do Rio Vermelho, um bairro boêmio da Cidade do Salvador. No entanto, todos foram devorados pelos tupinambás, exceto Caramuru.

 

Há diversas versões para esse fato. Segundo alguns cronistas, Caramuru era muito magro e por isso foi desprezado. Outra versão conta que Caramuru disparou sua arma de guerra para se defender dos ataques indígenas, que assustados diziam “Caramuru” que significa Deus do fogo Rei do trovão. E deram a ele a índia Paraguaçu para esposa, filha do Cacique Morumbixaba.

Caramuru

 

A origem do apelido também tem várias explicações. Uma delas conta que quando foi lançado à praia pelas ondas, Diogo Álvares estava envolto em algas marinhas e de longe parecia ser um peixe que os indígenas chamavam de caramuru. Outra versão diz que ele estava fugindo dos índios, se escondeu atrás de pedras e ficou todo enrolado em algas.

 

O que é verdade e o que é lenda

O que se sabe com certeza é que Caramuru se casou com a Índia Paraguaçu e que com ela viveu no subúrbio de Salvador no povoado de Vila Velha até morrer em 1557. O casal teve quatro filhas que se casaram com colonos portugueses e deram origem a famílias que se tornaram tradicionais na Bahia.

Uma de suas filhas, Madalena, foi a 1ª mulher brasileira a saber ler e escrever. E muito se empenhou para a libertação do elemento servil do Brasil.

A celebre casa da Torre Garcia D´Avila faz parte dessa família, muito importante pelos serviços prestados ao Brasil.

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Ruínas da Casa da Torre de Garcia D’Avila
Fonte da imagem: Reprodução/evelynlimasant

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Representação de como era a casa
Fonte da imagem: Reprodução/evelynlimasant

Segundo relatos da época, Caramuru viveu pacificamente e não se valeu de sua amizade com os indígenas para obter vantagens ou caçar escravos em tribos inimigas, como era comum na época.

Quando Tomé de Sousa chegou ao Brasil com sua expedição colonizadora em 1549, Caramuru serviu como intermediário no contato entre brancos e indígenas, pois já dominava o idioma e os costumes da tribo, sobre a qual tinha grande influência.

 

Catarina Álvares do Brasil, ou Paraguaçu, viveu mais de 80 anos e foi enterrada na Igreja do Mosteiro de Nossa Sra. Da Graça.
Igreja essa que ela mesma fundou junto com seu marido.

Igreja Graca 1

Igreja Nossa Senhora da Graça – Bahia
Fonte da imagem: Reprodução/bahia-turismo

Igreja Graca

Interior
Fonte da imagem: Reprodução/bahia-turismo

 

No interior dessa igreja estão os restos mortais de Paraguaçu.

 

Sepultura de Paraguaçu 1

Lápide de Paraguaçu: atrás dessa lápide estão os restos mortais da índia Paraguaçu.
Fonte da imagem: Reprodução/Salvador em um dia

Sepultura de Paraguaçu 3

Fonte da imagem: Reprodução/girosalvador

 

A placa em mármore indica o local onde ficam os restos mortais de Paraguaçu. Nela está escrito: “Sepultura de D. Catharina Alvares Paraguassu, senhora que foi desta capitania da Bahia, a qual ella e seu marido Diogo Alvares Corrêa, natural de Vianna derão aos Senhores Reis de Portugal. Edificou esta capella de Nossa Senhora da Graça e a deu com as terras annexas ao Patriarcha S. Bento em o anno de 1582”.

 

Os livros escolares de História do Brasil narram o célebre episódio ocorrido entre o europeu Diogo Álvares Corrêa e os índios tupinambás. Mas não especificam em qual trecho do litoral de Salvador o encontro teria ocorrido.

Relatam apenas que o jovem Diogo, sobrevivente de um naufrágio, desferiu um certeiro tiro numa ave que voava à vista dos inamistosos nativos. Por desconhecerem armas de fogo, os índios ficaram perplexos e começaram a gritar: Caramuru! Caramuru! Caramuru!, que na língua tupi significa homem de fogo, filho do trovão, dragão saindo do mar.

Alguns historiadores afirmam que o jovem Caramuru levou a índia Paraguaçu a vários países da Europa, lá ela teria sido batizada com primeiro nome da rainha Catarina de Médicis em sua homenagem, a rainha lhe serviu de madrinha, e ali mesmo foi realizado seu casamento.

 
Essa é uma das muitas lendas históricas do nosso Brasil, que passam anos após anos sem que os próprios brasileiros tomem conhecimento delas.

As pessoas conhecem mais da cultura de um determinado país, mas desconhecem a sua própria cultura. Trágico!

 

FONTE: Pequena Enciclopédia para Descobrir o BrasilHistória de Salvador – Cidades Baixa e Alta e advivo.com.br

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